O Museu de Arte de Santa Catarina hoje: Entrevista com Mary Garcia | MARIA INÉS RIOS

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MARY GARCIA RETRATOMary Garcia

Mary Elizabeth Benedet Garcia é Diretora de Difusão Cultural da Fundação Catarinense de Cultura e funcionária do Centro Integrado de Cultura há 28 anos.

Maria Inés Rios: Qual o perfil do MASC? Qual é o direcionamento dele para as exposições?

Mary Garcia: O Museu de Arte de Santa Catarina / MASC pertence a uma instituição estadual, a Fundação Catarinense de Cultura. Pela relevância como referência em nosso estado e fora dele, seria necessário que o museu tivesse um curador. Por ser um espaço de reflexão, educação e difusão de conhecimento, a figura do curador torna-se obrigatória. O museu, na sua estrutura administrativa conta apenas com um administrador. O curador é uma prerrogativa de todos os museus atualmente em todo o país. O MASC trabalha com os curadores elegidos por cada artistas selecionados para exporem em seus espaços.

EXPOSIÇÃO MIRÓ 1Exposição  Joan Miró – A Força da Matéria no Museu de Arte de Santa Catarina,
Florianópolis-SC, Brasil

MIR: Caso 1 – Exposição do Miró:

MG: A exposição foi uma promoção do Instituto Tomie Ohtake, patrocinado pela ARTERIS. O curador da exposição foi Paulo Miyada, que é o curador do Instituto Tomie Ohtake.

MIR: E quem recebe o acervo no MASC, o acervo da exposição? Existe uma pessoa responsável pelo acervo?

MG: O acervo do MASC conta com um núcleo específico de conservação preventiva, que são os técnicos responsáveis pelas obras em trânsito e as obras expostas em todas as exposições do museu. Além disso, o MASC possui o núcleo de montadores, que são especialistas na arte da montagem e desmontagem dos acervos expostos.

MITR: E a exposição das obras? Layout? Existe fiscalização?

MG: A fiscalização é feita pelos técnicos do acervo e os técnicos da montagem. Em relação ao Miró, os técnicos da Fundação Miró, do Instituto Tomie Ohtake e do MASC trabalharam em conjunto para eleger a expografia da exposição.

EXPOSIÇÃO MIRÓ 3Exposição  Joan Miró – A Força da Matéria no Museu de Arte de Santa Catarina,
Florianópolis-SC, Brasil

MIR: O MASC tem seu acervo próprio, para as exposições temporárias como é feita a exposição?

MG: O acervo do MASC conta com aproximadamente mil e oitocentas obras, que quando expostas apresentam uma curadoria do próprio museu, ou de algum curador convidado pelo próprio museu. Em relação às exposições temporárias é feito um edital de seleção e o conselho curatorial do museu analisa as propostas, selecionando as mais pertinentes.

MIR: Existe um perfil?

MG: Sim. Trabalhos contemporâneos.

MIR: Como se deu a parceira com o Instituto Tomie Ohtake?

MG: Essa parceria na verdade aconteceu entre a empresa ARTERIS e o Instituto Tomie Ohtake.

MIR: Adaptação do espaço, como foi?

MG: Toda a definição expográfica e museográfica foi em feito em conjunto entre equipe Tomie Ohtake e a Fundação Miró.

MIR: Isso abriu precedente, já que se fez a infraestrutura para esta exposição?

MG: A fundação Miró, o Instituto Tomie Ohtake e os representantes da ARTERIS elogiaram a performance do MASC .Na época em que João Evangelista era o administrador do MASC, ele trouxe uma grande artista, Amélia Toledo, que verbalizou ter sido no MASC a sua melhor exposição e deixou claro que gostaria de fazer a última exposição de sua carreira aqui no MASC.

MIR: Eu vi uma grande equipe de estudantes de museologia, como se organizou esta parceria?

MG: O setor de arte e educação é o responsável pelo agendamento e monitoria dos grupos. Como o fluxo de visitantes foi intenso o setor de arte e educação do MASC recebeu reforço de arte educadores contratados pelo Instituto Tomie Ohtake. Todos os envolvidos com os monitoramentos receberam treinamento especializado provido pelo Instituto Tomie Ohtake. A equipe de arte educadores foi bem eclética contou com músicos, artistas visuais e professores. Foi uma bonita união de talentos e dedicação. O museu tem a missão de formar plateia para isso é necessário uma equipe competente e focada nas demandas contemporâneas.

EXPOSIÇÃO MIRÓ 4Exposição  Joan Miró – A Força da Matéria no Museu de Arte de Santa Catarina,
Florianópolis-SC, Brasil

MIR: Tem o edital… É selecionada a exposição, o artista escolha o curador, como funciona?

MG: Como já falei anteriormente, a seleção é feita com edital. Em geral é o próprio artista quem elege seu curador, mas existem situações em que o museu sugere um curador para determinada exposição.

MIR: Mais alguma coisa da tua experiência que você poderia nos dizer?

MG: O Museu de Arte de Santa Catarina é um museu referência do estado e é também o maior museu de arte contemporânea de Santa Catarina. Durante a administração de João Evangelista de Andrade Filho o museu reconquistou sua posição no cenário nacional. Isso graças ao trabalho incansável de seu administrador que era crítico de arte, artista, poeta e principalmente um excelente curador, entre tantas outras qualificações. Talvez por isso ele tenha conseguido que o importante trabalho de Victor Meirelles, a Primeira Missa, fizesse a sua única e exclusiva itinerância aqui em Florianópolis, no MASC. Outra exposição de grande importância foi a Arte Popular Brasileira. A coleção Assis Chateaubriand foi um destaque e tanto. Recordo ainda de Amélia Toledo e a exposição da Morte…

MIR: O que a exposição do Miró fez pelas crianças…Elas verem isso… Isso é marcante….

MG: Toda a manifestação artística provoca sensações nas pessoas. Quando falamos de criança as manifestações são mais espontâneas. Sobre o poder do trabalho de Miró para o entendimento e sentimento do público infantil penso ter sido uma experiência lúdica, instigante e muito próxima do universo e da inventividade infantil. No processo mental infantil o trabalho de Miró produz sensações perceptivas muito imaginárias porque suas formas e cores estão conectadas simbolicamente ao universo criativo da infância. E a força transmitida por cada trabalho do artista certamente provoca as mais diversas sensações e sentimentos, de curiosidade e particularmente de transposição ao imaginário. Desse modo desenvolve o olhar estético e amplia o gosto e capacidade de interpretação.

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Entrevistada por:

Maria Inés Travieso Rios. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC (1995) com ênfase na área de preservação e conservação de bens culturais. Atualmente dedicasse à pesquisa da História da Arte através do Estudo da Imagem.