Quando o discurso chega primeiro: 8ª Bienal do Mercosul | LUCILA VILELA

Ensaios de Geopoética, tema que conduz a 8a Bienal do Mercosul reúne conceitos políticos e geográficos para pensar territórios e construir novas rotas de circulação. A proposta curatorial, assim, pretende ativar a cena local tirando a ênfase do caráter expositivo. Também destaca o componente educativo envolvendo um curador pedagógico na concepção do projeto.

No entanto, parece que essa tentativa de apostar nas metodologias de educação da arte pode apresentar um risco: onde o discurso fala mais alto e as obras se limitam a ilustrar um conceito geral. Em um jogo de encaixe, sem margem de erro, a função didática ganha força e a arte enfraquece. Em muitos casos, o excesso de discurso abafa o trabalho e é preciso uma explicação – proferido pelo monitor ou explicitado pelo texto – para o entendimento da obra, limitando a percepção visual e poética que poderia ser alcançada com uma observação atenta.

Por outro lado, a idéia de circulação, no caso da Bienal, funciona com algumas intervenções urbanas que ativaram pontos pouco habitados da cidade. Vale destacar, por exemplo, a obra de Tatzu Nishi que leva o público a ter uma relação íntima com as estátuas da fachada da prefeitura. O artista constrói uma estrutura com andaimes que permite aproximar o olhar a esse personagens históricos que habitam o ponto mais alto do edifício. E em volta deles, constrói um ambiente de um quarto criando uma intimidade no espaço externo. Um território fora de lugar.