Rafael Campos Rocha “Self-Portraits” [2009, DEC]

Text by: Victor Da Rosa

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This series of portraits by RCR suggests a small confusion between very distinct genres: the self-portrait, already stated in the title, strikes a dialogue with the history of painting; then it is possible to imagine a certain approximation with literature starting from the writing of intimate diaries or even interior monologues; and finally, like a thing that creates a movement or a force of a diction, that there is a structure of an autobiographical discourse very similar to the structure of the dramas of pulp fiction.

On the other hand, I believe that it is not difficult to argue that the triptych of the videos – is it really video art? – simply touches the genres; in other words, it uses genres as prime matter and in some way messes with the hierarchies in order to get the ability to point at them with the irony of an improper procedure; therefore, the diction of pulp fiction should function as a key to lecture. In other words, it looks as if the artist signed the history of art with a series of fictitious names.

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However, much different from pulp fiction novels -that promise happiness and fulfill their promises to the fullest- the monologues of RCR establish some expectations and subsequently deny them. If we, the readers, perhaps without noticing it, are introduced to “narrations that manage to capture our attention”, as common sense tells us, because of a quick understanding and identification, in some case -that is, if we are immediately captured by curious revelations, deceptions, personal pseudo-dramas, diminutives, explanations- we won’t have the same opportunity to free ourselves from them afterwards.

The way in which the rhythm of the text establishes itself or even imposes the rhythm -because of the language of the video we have access only to a piece of every phrase (in contrast to the book that presents the complete text in any moment)- is responsible for the continuous updating of hope, in a way that is hardly evident. It is the manipulation of time itself, fragmented and more or less slow, -but not random at all- that emphasizes another manipulation, of waiting, to the reader.

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One of the textual resources that RCR uses is rambing. This means that that rambling -accompanied by a proliferation of suspicious metaphors- is the element that lets it glide among different localizations of discourse and matters completely denuded. From the first lines, when the artist compares himself with a giant yucca, some space of permissivity is established. Lastly, it is difficult to know exactly what is in store, but it seems certain that no face will show, in the way that somebody expects in the tales -in contrast, the definition becomes more like a report. To sum up, the self-portraits, denying their conditions, could be simply this void that remains for some seconds after every narration comes to an end.

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Esta serie de retratos de RCR sugiere una pequeña confusión entre géneros muy distintos: con el auto-retrato, ya en el título, aparece una declaración de diálogo con la historia de la pintura; después es posible imaginar cierta aproximación con la literatura a partir de la estructura de los diarios íntimos o incluso de los monólogos interiores; y finalmente, como aquello que hace el movimiento o la fuerza de una dicción, podemos decir que hay una construcción del discurso auto-biográfico muy similar, por ejemplo, a la de los dramas de las novelas de folletín.

Por otro lado, a mi parecer, no es difícil argumentar que el tríptico de vídeos – ¿se trata realmente de vídeo-arte? – solamente roza los géneros; es decir, utiliza los géneros en tanto que materia y de algún modo confunde las jerarquías para, de esta manera, poder señalarlos con la ironía de un procedimiento indebido –  por eso la dicción medio folletinesca debe funcionar como llave de lectura. En otras palabras, es como si el artista firmase la historia del arte con una serie de nombres ficticios.

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Diferente de los romances de folletín, sin embargo – que prometen la felicidad y cumplen al pie de la letra sus promesas – los monólogos de RCR establecen algunas expectativas para luego en seguida negarlas. Si nosotros, lectores, tal vez sin percibirlo, somos introducidos en “narrativas que consiguen retener nuestra atención”, sobretodo por un nivel rápido de entendimiento e incluso de identificación, en algún caso – es decir, si somos inmediatamente capturados por revelaciones curiosas, engaños, pseudo-dramas personales, diminutivos, interpelaciones – no tendremos la misma oportunidad para liberarnos después de ellas.

El modo en que el ritmo del texto se establece o incluso se impone – tenemos acceso, con el lenguaje del vídeo, sólo a un pedazo de cada frase (diferente de un libro que entrega el texto completo en cualquier momento) – el ritmo es responsable por la actualización continua de la espera de un sentido que difícilmente aparece. Es la propia manipulación del tiempo, fragmentada y más o menos lenta – nada aleatoria – que acentúa otra manipulación, ahora de espera, en el lector.

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Uno de los recursos textuales del que RCR hace uso es justamente la divagación. Entiendo que la divagación – acompañada por una proliferación de metáforas sospechosas – es lo que permite que se deslice entre varias localizaciones de discursos y asuntos con todo despojamiento. Desde las primeras líneas, cuando el artista se compara con una yuca gigante, cierto espacio de permisividad es instaurado. En fin, es difícil saber exactamente lo que se espera, pero parece seguro que ningún rostro va a formarse con definición como se espera en los retratos – al contrario, la definición se irá volviendo más informe. Los auto-retratos de RCR, en definitiva, negando sus condiciones, podrían ser solamente aquel vacío que permanece algunos segundos después de que cada narrativa llegue a su fin.

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Esta série de retratos de RCR, primeiro, deve sugerir um pequeno embaraço entre gêneros muito distintos, a saber: com o auto-retrato, já no título, aparece uma declaração de diálogo com a história da pintura; depois é possível imaginar certa aproximação com a literatura a partir da estrutura dos diários íntimos ou mesmo dos monólogos interiores; e por fim, como aquilo que faz o movimento ou a força de uma dicção, digamos, há uma construção de discurso auto-biográfico muito semelhante, por exemplo, aos dramas das novelas de folhetim.

Por outro lado, a meu ver, não é difícil argumentar que o tríptico de vídeos – se trata de vídeo-arte, afinal? – somente raspa os gêneros; quero dizer, utiliza os gêneros enquanto matéria e de algum modo confunde as hierarquias para que, desta maneira, possa marcá-los com a ironia de um procedimento indevido – por isso a dicção meio folhetinesca deve funcionar como chave de leitura. Em outras palavras, é como se o artista assinasse a história da arte com um uma série de nomes fictícios.

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Diferente dos romances de folhetim, no entanto – que prometem a felicidade e cumprem à risca as suas promessas – os monólogos de RCR estabelecem algumas expectativas para logo em seguida negá-las. Se nós, leitores, talvez sem perceber, somos inseridos em “narrativas que conseguem prender a nossa atenção”, sobretudo por um nível rápido de entendimento e até mesmo de identificação, em algum caso – ou seja, se somos imediatamente capturados por revelações curiosas, enganos, pseudo-dramas pessoais, diminutivos, interpelações – não teremos a mesma chance para nos livrar delas depois.

O modo como o ritmo do texto é estabelecido ou mesmo imposto, por exemplo – temos acesso, com a linguagem do vídeo, somente a um pedaço de cada frase (diferente de um livro que entrega o texto completo a qualquer momento) – o ritmo é responsável pela atualização contínua da espera de um sentido que dificilmente aparece. É a própria manipulação do tempo, fragmentada e mais ou menos lenta – seja como for, nada aleatória – que acentua outra manipulação, agora de espera, no leitor.

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Um dos recursos textuais de que RCR faz uso é justamente a divagação. Entendo que a divagação – acompanhada por uma proliferação de metáforas suspeitas – é o que permite que se deslize entre várias localizações de discursos e assuntos com todo despojamento. Desde as primeiras linhas, quando o artista se compara com uma mandioca gigante, certo espaço de permissividade é instaurado. Enfim, é difícil saber exatamente o que se espera, mas parece certo que nenhum rosto irá se formar com definiçao como se espera dos retratos – antes, a definição vai se tornando mais informe. Os auto-retratos de RCR afinal, negando suas condições, poderiam ser somente aquele vazio que permanece alguns segundos depois que cada narrativa chega ao fim.

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La serie dei ritratti di RCR suggeriscono una certa confusione tra generi diversi: con l’autoritratto, che si mostra giá dal titolo, sostengono un dialogo con la storia della pittura; possiamo poi immaginarli come un’approssimazione alla letteratura, come si evince dalla struttura dei diari intimi e dai monologhi interiori; infine, in essi possiamo ritrovare la costruzione del discorso autobiografico, simile ai romanzi d’appendice, nell’atto che crea movimento o nella forza della dizione.

D’altra parte, a mio avviso, non é difficile sostenere che il video, in forma di trittico (ma ci sarebbe da chiedersi se siamo realmente di fronte a video arte) sfiora i generi, o meglio li usa come materia e in qualche modo ne confonde le gerarchie per poterli segnalare con l’ironia di un procedimento indebito e, dunque, per questo, la dizione deve funzionare come chiave di lettura. In altre parole é come se l’artista firmasse la storia dell’arte con una serie di nomi fittizi.

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In qualunque modo, a differenza dei romanzi d’appendice – che promettono la felicitá e compiono fedelmente le loro promesse – i monologhi di RCR stabiliscono alcune aspettative per negarle immediatamente dopo. Se noi lettori, a volte senza accorgercene, siamo introdotti in “narrative che catturano la nostra attenzione”, grazie a una comprensione veloce o in alcuni casi grazie all’identificazione (come insegna il senso comune) – se siamo cioé rapiti immediatamente da rivelazioni curiose, inganni, pseudo-drammi personali, diminutivi, interpellazioni – in seguito non riusciremo facilmente a liberarci da esse.

Il modo in cui il ritmo del testo si stabilisce o si impone – il linguaggio del video ci permette di percepire solo parti di ogni frase (a differenza di un libro che ci permette un accesso completo al testo) – é responsabile del continuo riattualizzarsi della ricerca di un senso che peró difficilmente appare. É la manipolazione del tempo, fragmentata e piú o meno lenta – mai aleatoria – che accentua un’altra manipolazione, questa volta attinente all’attesa che nasce nel lettore.

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Uno dei sistemi testuali di cui RCR fa uso é la divagazione. Voglio dire che la divagazione – accompagnata dalla proliferazione di metafore sospettose – é ciò che ci permette fluire liberamente tra le localizzazioni di discorso e varie situazioni. Dalle prime linee, quando l’artista si paragona a una yucca gigante, si stabilisce uno spazio di permissivitá. É difficile sapere con esattezza ció che ci attende. In ogni caso sembra sicuro che nessun volto formerá i suoi dettagli, come spesso ci si aspetta in un ritratto – al contrario i dettagli si faranno sempre piú informi. In definitiva l’autoritratto, negando la sua condizione, potrebbe essere quel vuoto che permane pochi istanti prima che ogni narrativa arrivi alla sua fine.